
Algumas pessoas negam que existam cinco níveis de superdotação. Negam a superdotação profunda. Desconsideram o trabalho longitudinal da doutora Deborah L. Ruf e fazem afirmações sobre um funcionamento que, muitas vezes, nunca estudaram de verdade. Mas negar uma realidade não faz com que ela desapareça. Eu vivo isso. Meu filho vive isso. E, entre as pessoas que atendo e acompanho, a maioria também vive a superdotação profunda, justamente porque é esse grupo que mais precisa de suporte. A assincronia ajuda a explicar parte desse funcionamento: o desenvolvimento cognitivo pode estar muito à frente, enquanto a regulação emocional, o desenvolvimento social, o corpo e a adaptação às demandas seguem em outros ritmos. Isso gera desgaste. Pode gerar ansiedade, crises, exaustão, isolamento e sofrimento escolar. Sem compreensão, a criança é chamada de difícil, exagerada, malcriada ou problemática. Falar em níveis importa. Quanto maior a intensidade do perfil, maiores podem ser as necessidades de suporte, mediação, pausas e adaptações. Discordar de um modelo é legítimo. Negar a existência de pessoas e famílias inteiras porque você não estudou o suficiente não é rigor científico. Os cinco níveis existem. A superdotação profunda existe. Eu existo. Meu filho existe. E eu continuarei falando sobre isso com estudo, experiência e responsabilidade.
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