
Dez anos depois, seguimos precisando dizer o óbvio: o golpe contra Dilma Rousseff também foi um golpe contra as mulheres. Não foi apenas sobre tirar uma presidenta do cargo. Foi sobre o que aquela mulher representava. Dilma foi a primeira mulher a governar o Brasil. E, como tantas mulheres que ocupam espaços de poder, foi julgada por sua voz, seu corpo, seu jeito, sua firmeza e até por não corresponder ao que esperavam de uma mulher. Disseram que ela não era simpática. Que era dura demais. Que não sabia sorrir. Enquanto isso, carros circulavam com adesivos que sexualizavam e violentavam a imagem da presidenta. A misoginia não era um detalhe daquele processo. Ela estava nas ruas, nas piadas, nos ataques e na violência que tentava reduzir uma mulher eleita àquilo que nunca exigiram dos homens. Dez anos depois, sabemos ainda mais sobre o que significa ser mulher na política. Sabemos que a violência política de gênero começa muito antes de uma ameaça. Ela está na tentativa de nos silenciar, de nos desqualificar, de transformar nossa vida pessoal em assunto público e nossa firmeza em defeito. Está na violência que tenta nos ensinar que determinados espaços não foram feitos para nós. Mas foram. E é justamente por isso que incomodamos tanto. Nunca foi sem luta. Nunca foi sem a raiva deles. Nunca foi sem a nossa alegria. A retirada de Dilma do poder não encerrou uma disputa. Abriu caminho para ataques ainda mais profundos à nossa democracia e aos direitos do povo brasileiro. Mas também nos ensinou que não podemos naturalizar nenhum passo atrás. A democracia só será completa quando mulheres puderem disputar e exercer o poder sem pagar, com medo e violência, o preço de existir nesses espaços. Dez anos depois do golpe contra Dilma, seguimos aqui. Mais conscientes da misoginia que enfrentamos. Mais atentas à violência política de gênero. E, principalmente, mais determinadas a ocupar cada espaço que disseram que não era nosso. Nós viemos pra ficar! 👊🫶 #dilmarousseff
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