
Nem toda criança que parece ter TDAH, TEA ou transtorno bipolar apresenta, de fato, esses diagnósticos. Em crianças com altas habilidades/superdotação, algumas características podem se sobrepor a outros transtornos do neurodesenvolvimento, tornando indispensável uma avaliação clínica cuidadosa, que considere a história do desenvolvimento, o contexto e o funcionamento global da criança. A neurociência demonstra que comportamentos são resultado da interação entre características individuais e ambiente. Quando as necessidades cognitivas, emocionais e sensoriais de uma criança não são compreendidas, o estresse crônico pode favorecer crises intensas, isolamento, ansiedade, autoagressão, sofrimento emocional e, em alguns casos, sucessivas dificuldades no ambiente escolar. Durante uma crise, o cérebro apresenta redução da capacidade de autorregulação. Nesse momento, gritos, humilhações ou punições tendem a intensificar a resposta de estresse. O acolhimento, a corregulação emocional, a previsibilidade e a repetição consistente de estratégias baseadas em segurança e vínculo favorecem a reorganização do sistema nervoso e o desenvolvimento gradual da autorregulação. Compreender a criança antes de interpretar seu comportamento é um dos pilares de uma intervenção eficaz, respeitosa e baseada em evidências.
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