
#Resenhasbookster O que resta de nós, de Virginie Grimaldi A partida de alguém próximo nos exige reaprender uma nova rotina. A falta é sentida nos mais diferentes momentos do dia e os espaços vazios são percebidos a cada nova visita. Para Jeanne, a perda do amor da sua vida, depois de tantos anos de casamento, vem com tristeza, saudades e uma forte sensação de desesperança. Quem sou eu sozinha? Aos 74 anos, ela passa parte do seu dia visitando o túmulo do companheiro, quase como em uma tentativa de negar a continuidade da vida sem ele. No entanto, Jeanne precisa tomar uma decisão importante, já que as dificuldades financeiras começam a surgir como um obstáculo que parece difícil de ser superado. Até que a protagonista tem uma ideia: alugar os quartos desocupados de seu apartamento. Em um acaso, dois jovens cruzam seu caminho e aceitam a oportunidade. De um lado, Théo, um jovem que vive em um carro e trabalha como aprendiz de uma padaria. De outro, Iris, uma cuidadora de idosos que precisa encontrar com urgência um novo lar. Com realidades tão distintas, eles compartilham alguma forma de solidão. O que prometia ser a solução dos problemas de Jeanne não começa da melhor forma. Cada um vive a sua vida de forma independente e reluta em criar vínculos com os novos companheiros de casa. Não há relação, mas a mera obrigação de aguentar a presença do outro. Aos poucos, suas vivências vão se cruzando e passamos a acompanhar o surgimento de uma amizade entre Jeanne, Théo e Iris. Com capítulos curtos e uma escrita muito fluida, o fenômeno de vendas da literatura francesa contemporânea consegue construir um romance leve e emocionante. Não espere um desenvolvimento complexo dos personagens. A habilidade de Grimaldi está na beleza de suas histórias, sem precisar se aprofundar tantos nas dores ou angústias. É uma daquelas leituras que facilmente agrada quem busca por uma história envolvente e que dá um afago no peito. Vocês sabem como eu gostos de enredos que mergulham mais no drama dos personagens, por isso “O que resta de nós” não é o meu estilo de leitura favorito. Mas sei o quanto ele é capaz de tocar leitores e trazer uma mensagem de esperança no meio das perdas e dificuldades. Adorei a leitura! Nota 8/10 Tradução de Julia da Rosa Simões 272 paginas Editora Gutenberg #resenhas #oquerestadenos #virginiegrimaldi
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