
O antropólogo, doutor em Ciências Sociais e babalorixá Rodney William, conta em Apropriação Cultural (2019, Editora Pólen / Coleção Feminismos Plurais), que apropriação cultural é um fenômeno que acontece em três fases: A primeira etapa desse processo consiste no esvaziamento de sentido, no qual elementos simbólicos, sagrados ou identitários de um grupo historicamente inferiorizado — como símbolos religiosos, penteados ou manifestações artísticas — são descontextualizados e despojados de sua memória e ancestralidade, algo que não aconteceu no show, visto que o próprio show da Anitta tem essa ancestralidade como tema. Mas tem mais: A segunda fase consolida-se através da mercantilização e captura pela indústria cultural. Uma vez higienizados de sua carga política e cultural, esses símbolos são cooptados pelo mercado dominante para serem transformados em produtos de consumo lucrativos, moda ou entretenimento. Nesse estágio, a lógica capitalista passa a comercializar o que antes era traço de resistência, transferindo o protagonismo e os dividendos econômicos para os membros do grupo hegemonicamente dominante. No fim a terceira fase é a invisibilização e apagamento das origens. Nessa etapa final, a narrativa dominante naturaliza o uso do elemento reapropriado, enquanto o povo originário criador permanece marginalizado e, muitas vezes, discriminado ao praticar seus próprios costumes. É urgente que a gente aprenda o que é apropriação cultural para lutar contra ela em vez de ficar chutando espantalhos. A cultura negra de matriz africana virar um elemento pop é resultado da luta de séculos dos movimentos negros e abolicionistas. #Anitta #Orixá #Candomblé #RacismoReligioso #ApropriaçãoCultural
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